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quinta-feira, 10 de março de 2011

Desenhos e pinturas feitos com iPad, aplicativos e um dedo apenas

Por Valdir Rocha


Nos últimos meses, fiz e venho fazendo dezenas de esboços e desenhos e pinturas com o uso apenas do iPad e aplicativos (Doodle Buddy, Inspire Pro, Drawing Pad, ArtRage, Paint!, Brushes, Zen Brush, Canvas, Auryn Ink e Adobe Ideas, isolada ou conjuntamente), além do meu dedo indicador direito (de vez em quando junto com o dedão).

Alguns desses esboços estão reunidos no vídeo Sátiros etc, postado no Youtube. Gostaria muito que o visse:





»» (continua...)



quinta-feira, 3 de março de 2011

Quer ganhar uma eleição?


Então nunca defenda a descriminalização da maconha ou do aborto nem se declare ateu ou umbandista. Por Cynara Menezes. Foto: Istockphoto
O pesadelo do eleitor brasileiro é um candidato, homem ou mulher, que se declare a favor da legalização do aborto e da maconha, que diga não acreditar em Deus ou que professe religiões afro-brasileiras. Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc, divulgada com exclusividade por CartaCapital, aponta para um perfil assustadoramente conservador do eleitorado, que se reflete sobretudo na corrida pelos cargos majoritários. A guinada conservadora de José Serra na última campanha teve seu cálculo: está comprovado que ser progressista, em termos morais, tira votos.

sábado, 16 de agosto de 2008

Dorival Caymmi e a MPB de luto

http://www.construindoosom.com.br/linha_do_tempo/imagens2/caymmi.jpg





Presto aqui uma singela homenagem a este homem fabuloso, dono da voz que encantou as noites e dias com gosto de Bahia de várias gerações. Dorival Caymmi, deixa de luto a Música Brasileira!


Dora, a rainha do frevo e do maracatu, está órfã. Adalgisa, Marina, Rosa Morena e João Valentão também. Marancagalha está triste e os coqueiros de Itapuã nunca estiveram tão saudosos. Morreu Dorival Caymmi. Morreu não. Encantou-se, como diria Guimarães Rosa.

Caymmi nos deixou na manhã de sábado, 16 de agosto. Diacho de mês para gostar de levar nossas jóias raras. Foi no mês de agosto que também foi embora, tocar sua sanfona lá no céu, o velho Luiz “Lua” Gonzaga, o Rei do Baião que, assim como o compositor baiano nascido há noventa e quatro anos também era único em seu talento e forma de fazer música e de cantar.

Caymmi e Gonzagão são insubstituíveis, como Noel Rosa, Herivelto Martins, Cartola, Nelson Cavaquinho, Wilson Batista, Assis Valente, Ary Barroso, Lamartine Babo, Ataulfo Alves e tantos outros que agora ganharam um novo companheiro – Dorival Caymmi que reencontra outros velhos amigos – Caribé, Jorge Amado, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Benção. Saravá.

Nascido em Salvador, em 30 de abril de 1914, Dorival Caymmi, filho do casal Durval Henrique e Aurelina Cândida, começou a compor ainda na adolescência. Aos 20 anos cantava na rádio Clube da Bahia. Quando completou 22, venceu um concurso de músicas para o carnaval, com a canção cheia de malícia "A Bahia também dá". Como prêmio, levou para casa um abajur de cetim cor-de-rosa. No final dos anos 30 se mudou para o Rio de Janeiro, mas sempre retratou a Bahia em sua obra. A primeira composição foi a toada No sertão, de 1930.



(*) Este é um artigo de Humberto Oliveira, publicado no site "Rondonia ao vivo". Leia a íntegra, em link aberto, aqui.

domingo, 9 de março de 2008

Blogar é bom para a vida social

Por Rodrigo Martin de Macedo

Um estudo da Universidade de Tecnologia de Swinburne, em Melbourne, Austrália, descobriu que pessoas que mantém diários virtuais, ou blogs, são mais equilibradas e possuem vidas sociais mais saudáveis e felizes.

A pesquisa foi conduzida em duas partes pela professora Susan Moore e pelo pesquisador James Baker, sendo iniciada no contato via mensagem privada a 600 usuários do MySpace, que foram conduzidos a um questionário online. Destes, 134 participaram, 84 mostraram interesse em criar seus diários e 50 não. Dois meses depois, um novo questionário foi enviado para os participantes da primeira etapa, obtendo 59 respostas.

Segundo o site TechCrunch, os pesquisadores notaram que após dois meses de blogagem a sensação de apoio social e redes de amizades eram maiores do que em pessoas que não possuem blogs.

As redes sociais online, como o Orkut, por exemplo, também afetam o equilíbrio psicológico de seus usuários de maneira positiva, fazendo com que se sintam menos ansiosos, deprimidos e estressados.

Em contato com a ABC, a professora Susan Moore explicou que, em parte, os blogueiros potenciais são pessoas de posições menos integradas à sociedade.

"Descobrimos que blogueiros potenciais estavam menos satisfeitos com suas amizades e se sentiam menos integrados socialmente, eles não se sentiam tanto parte de uma comunidade como as pessoas que não se interessaram em blogar", comentou, como se para estes blogueiros manter um diário virtual fosse como um pedido de socorro.

Fonte: Yahoo! Notícias

sexta-feira, 7 de março de 2008

O iluminado


Conheça a fascinante história do príncipe hindu.

Meio milênio antes de Cristo, o príncipe hindu Sidarta Gautama deixou seu luxuoso palácio e sua família para seguir os passos da mendicância, do jejum, da meditação. E acabou criando uma religião que crê no homem e que, hoje, influencia cada vez mais pessoas no Ocidente. Com você, a fascinante história de Buda e de sua doutrina

Há 3 000 anos começaram a se formar as principais filosofias e religiões que organizaram as visões de mundo do homem contemporâneo. Alguns filósofos, como o alemão Karl Jaspers, dão a essa época o nome de Era Axial. Axial diz respeito a eixo. Foi, portanto, quando o homem começou a buscar o seu eixo. Ou, segundo Jaspers, quando passamos a prestar atenção em nós mesmos. A Era Axial estende-se entre os séculos VIII e II a.C. "Nessa época, as pessoas discutiam sobre espiritualidade com o mesmo entusiasmo com que hoje se discute futebol", diz a escritora inglesa Karen Armstrong, uma das mais respeitadas estudiosas de religião, autora de best-sellers como Maomé e Buda. Os historiadores ainda não sabem o que causou esse despertar para a religião e para a filosofia, nem por que ele se concentrou na China, no Mediterrâneo Oriental, na Índia e no Irã. Acredita-se que com as sociedades agrícolas, mais estáveis, o homem ganhou tempo extra para dedicar-se à contemplação.

O certo é que todos os sábios desse período parecem seguir um caminho comum quando conclamam seus contemporâneos a radicais mudanças em suas vidas. Do século VIII ao VI a.C. os profetas de Israel reformaram o antigo paganismo hebreu. Na China dos séculos VI e V a.C., Confúcio e Lao-Tsé chacoalhavam as velhas tradições religiosas. Na Pérsia, o monoteísmo desenvolvido por Zoroastro expandiu-se e influenciou outras religiões. No século V a.C., Sócrates e Platão encorajavam os gregos a questionar até mesmo as verdades que pareciam mais evidentes. Tudo acontecendo mais ou menos junto. E é bem no meio dessa era, no século VI a.C., que surge o criador do Budismo, uma das mais influentes religiões do mundo, hoje com quase 400 milhões de adeptos. LEIA MAIS

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(*) Publicado na revista Super Interessante, 2002. Íntegra em link aberto, clique aqui.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Não deixe de ler


NASSIF DETONA A VEJA E ENTREGA DANTAS

Considerações de Paulo Henrique Amorim sobre as declarações do jornalista Luis Nassif acerca do jornalismo praticado pela revista Veja. O caso em questão (Nassif X Veja) está ganhando muita repercussão nos bastidores da internet e da blogosfera e promete render. Vale a pena acompanhar e tirar as próprias conclusões sobre o conteúdo difundido pela edição de circulação semanal. Clique no link acima para ler a íntegra das considerações de Amorim.

Atualização (05/03/2008):
Achei interessante a nova campanha publicitária da Veja que está sendo veiculada por aí. Será que eles estão com medo dos desdobramentos do caso e tentariam reforçar a sua marca e sua imagem por precaução? Vale a pena refletir. Eu continuo optando pelo "Não-Veja".

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Por trás daquele beijo

Publicado no Pedro Doria Weblog, 08/02/2008. Pare acessar os artigos de Pedro Doria, clique aqui.

Aproximadamente 10% da humanidade dispensa a osculação. Consideram o ato indecente, quando não nojento.

(Osculação? É a palavra científica para beijo na boca.)

A Scientific American do mês tem uma reportagem que faz um balanço das pesquisas recentes sobre o tema. Há descobertas da maior importância, como aquela da Universidade de Ruhr, na Alemanha, que demonstrou não importar se o indivíduo é destro ou se é canhoto. Na hora do beijo, inclina a cabeça para a direita.

Há entre 12 e 13 caminhos nervosos no crânio que afetam alguma função cerebral – e cinco deles trabalham pesado no momento do beijo. Mensagens são disparadas de nossos lábios, bochechas, língua e nariz. O cérebro processa informação relativa a temperatura, gosto, cheiro e movimentos os mais diversos e surpreendentes. A resposta aos estímulos vem num coquetel de químicos que afetam para bem ou para mal stress, motivação, ligações sociais e estímulo sexual.

Beijo joga o stress para baixo e a sociabilidade para cima. (E talvez não fosse preciso um doutorado em bioquímica para sabê-lo.)

Se por um lado tais benefícios todos do beijo na boca são comuns a ambos os sexos, por outro homens e mulheres beijam com objetivos distintos em mente – e quem o diz são antropólogos vários. Homens vêem o beijo como o primeiro passo para o sexo. (Uma descoberta surpreendente.) Já mulheres se dedicam ao beijo por conta do aumento de intimidade na relação. (Ora, pois.)

Mas, ainda aí, há provavelmente mais informação do que se imaginava. No beijo, a mulher recebe sinais bioquímicos que lhe permitem avaliar a qualidade do parceiro para procriação, seu grau de confiabilidade – e até mesmo se ele estará por perto para ajudar a cuidar da cria.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Fim de semana: Dicas fáceis para não se estressar no trânsito

Publicado no site Vya Estelar, 25/01/2008. Artigo de Nuno Cobra. Íntegra em link aberto, clique aqui.

O atual trânsito não condiz com a vida humana, tantos carros ao mesmo tempo nos mesmos locais, parece que de uma hora pra outra tudo vai explodir. O motorista sem se dar conta, recebe uma agressão extraordinária desse ambiente confuso e descontrolado. O estresse vagarosamente toma conta de sua mente. Suas respostas no trânsito passam a ser agressivas e incontroláveis.

É interessante perceber que aquela pessoa que acabou de ser pedestre, ao entrar num carro, se esquece completamente disso e fica raivosa, parece querer passar por cima deles.

Some a tudo isso: buzinas infernais, trânsito parado e um sincronismo estarrecedor dos controladores (sinais) de trânsito, sempre fechados na próxima esquina.

As pessoas ficam num frenesi incontrolável, passando a não mais trabalhar com o cérebro, e passam a ter um descontrole emocional surpreendente. Pequenas discussões se transformam numa agressão sem fim, entre dois malucos que querem se matar, levando muitas vezes a mortes estúpidas.

(***)

Procedimentos para não se estressar no trânsito

1º) Espreguice e relaxe
2º) Escute, mas não preste atenção
3º) Saia com sua mente do caos
4º) Movimentos e alongamentos

Algumas impressões de Hobsbawm

Publicado no Pedro Doria Weblog, 26/01/2008. Entrevista concedida por Erick Hobsbawm. Íntegra em link aberto, clique aqui.

Permaneci no Partido Comunista não por motivos políticos mas por razões autobiográficas. Não é por idealismo em relação à Revolução de Outubro. Não sou idealista. Ninguém deveria se iludir a respeito das pessoas ou coisas com as quais nos preocupamos. Comunismo é justamente uma das coisas com as quais tratei de não me iludir, embora tenha feito o que pude para permanecer leal a ele e a sua memória. O fenômeno do comunismo e a paixão que ele levantou foi algo específico ao século 20. Foi uma combinação de grandes esperanças nascidas do progresso e da crença na melhoria da humanidade durante o século 19 além da descoberta de que a sociedade burguesa na qual vivemos, não importa quanto sucesso tenha feito, não funciona e, em alguns momentos, pareceu próxima ao colapso. Como não entrou em colapso, criou grandes pesadelos.

Os EUA obviamente escolheram a barbárie contra o socialismo, no Afeganistão. Eles financiaram a al-Qaeda e o Talibã porque acreditavam que o comunismo era uma opção pior. Eu não acho isso. Também não acho que a al-Qaeda ou o fundamentalismo sejam os maiores perigos enfrentados pelo capitalismo. O capitalismo sobreviverá a eles e fará dinheiro com eles.

___________
(*) Erick Hobsbawm é um importante pensador contemporâneo. Escreveu livros como A Era dos Extremos.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Dica de fim de semana: Atitude positiva faz bem

Publicado no site Vya Estelar, 16/01/2008. Artigo de Emilce Shrividya Starling. Íntegra em link aberto, clique aqui.


Tenha uma atitude positiva. É fácil!

Muito do que acontece em nossa vida depende da atitude que adotamos nas situações. Uma atitude positiva nos ajuda a enfrentar os desafios e superar os obstáculos. Mas se tivermos uma atitude negativa, ficamos confusos em nossos problemas, sem saber como resolvê-los.

Pessoas de atitude negativa não aceitam que tem esta atitude. Acham que têm uma atitude correta e que os problemas são externos. Culpam os acontecimentos, culpam os outros e querem que eles os resolvam. Não aceitam que precisam mudar sua própria atitude e assim, se tornam ansiosas, angustiadas, com raiva e com atitudes defensivas.

Acham que um simples remédio pode, como em um milagre, acabar com sua depressão, tristeza, ansiedade, estresse. Não querem descobrir a causa de seu sofrimento. Apenas pensam, pensam e não agem. Não querem mudar e assumir a responsabilidade pela própria cura.

Estão sempre reclamando, sempre insatisfeitas. Por não se sentirem felizes não entendem como os outros podem estar. Procuram imperfeições e defeitos no modo como os outros se vestem, como falam ou agem. Estão constantemente criticando o outro, dizendo como ele está errado ou inadequado.

Não admitem que estão erradas e sempre pensam que o outro precisa mudar, que a lição é para os outros e não para elas.

Mas elas precisam compreender que é necessário mudar as lentes de suas mentes, mudar o modo de ver o mundo. Precisam valorizar mais o interno em vez de se focarem tanto no externo.

Precisam descobrir suas próprias qualidades, se valorizarem. Parar de brigar com elas mesmas. Precisam se libertar da autodepreciação que causa depressão e tristeza.

Fazendo as pazes com suas mentes podem começar a apreciar a beleza interna e externa tanto nelas mesmas como nas pessoas, no ambiente e nos objetos.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Dica de fim de semana: Livre-se de seus medos e viva em PAZ

Mãos à obra!
Encontrei este texto no site Vya Estelar, seção Equilibre-se. Achei interessante. Publico aqui a primeira parte do artigo. Para ler a íntegra, clique aqui. Para quem quiser um lugar de calma neste fim de semana, a dica do blog é meditar e encontrá-lo dentro de si mesmo. Vai que você se ilumina!


Meditar ajuda a se libertar dos medos

Artigo de Emilce Shrividya Starling

Os sábios dizem que dentro de nós existe o centro do medo e que todos nós estamos sujeitos ao medo. Quem tem dinheiro e bom emprego, tem medo de perdê-los. Quem tem posição elevada ou posses, tem medo de perdê-las. Quem tem família, filhos e amor, tem medo de perdê-los.Todos têm medo da velhice, da doença e da morte.

(***)

Existem, porém, os medos que nos aprisionam. Esses são criados por nossos pensamentos negativos, pelas emoções instáveis e conflitantes, pelos sentimentos de culpa, raiva, dúvidas, ansiedade e apegos.

É importante o autoconhecimento, porque o medo se oculta de muitas maneiras dentro de nós. Para vencê-lo, é necessário examinar nosso interior, localizar os disfarces que o medo assume em nós. Muitas vezes, o medo é para acobertar a preguiça, o comodismo, o orgulho, o desânimo e a frustração.

Por causa do medo, uma pessoa escolhe ficar limitada, se priva de alegrias, fala mentiras e comete erros. O medo a paralisa e a impede de desenvolver suas potencialidades. Ela passa a ter medo de ter medo. E o fugir do medo gera pânico. E ela perde a oportunidade de aprender a ser corajosa. Deixa de agir, de ter alegrias, de viajar, de começar coisas novas, de fazer mudanças necessárias, de ousar ser mais feliz. Passa a ter ciúmes, inseguranças, não confia nas pessoas e na vida.

O medo cria uma prisão interna.Tira a paz, a saúde e alegria de viver. Porém existe uma saída para todo este sofrimento e caos interior. Assim como existe um centro do medo dentro de nós, existe também o centro do amor.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Impostos e outros postos

Não reparem: é só para desabafar um pouco
Tenho ouvido demais por aí algumas pessoas, principalmente familiares, amigos e colegas, culparem o governo do presidente Lula pelo aumento do IOF, pela paralização dos editais de concursos públicos previstos para 2008 e por isso e aquilo. São pessoas que lêem determinada notícia ou assinam certo jornal só porque ali terão a certeza de encontrar informações contra o Luís Inácio e seus assalariados. Fazem oposição sem fundamento, só porque não gostam das barbas do Chefe. Gostaria de enviar-lhes um lembrete: a responsabilidade disso tudo é da oposição, que não votou a CPMF. Tudo bem, você pode estar pensando que sou a favor do imposto, do presidente, da corrupção, sei lá. Mas não é nada disso. Só estou cansado de ouvir tanta bobagem dita como se fosse verdade. Leiam. Reflitam. Com acuidade. O governo precisa cumprir com as suas obrigações e tirar dinheiro de algum lugar, pois tem gastos. Sem problemas se você não concorda com as políticas econômicas, pois prefere voar nas asas de um pássaro ou outro. Estou emitindo esta opinião, independentemente de juízo de valor, se o governo está agindo certo ou errado, porque não estou apto para dizer, assim como os críticos desinformados que cansam os meus ouvidos com fundamentos tirados de articulistas opositores. Vamos ser realistas, por favor. Vamos ler os fatos. Vamos pelo menos estudar um pouquinho. Quem sabe não abrem a cabeça e viram oposição fundamentada, o que, a meu ver, seria ótimo. É o que está faltando, né não?! Não precisamos de mais pessoas difundindo as maquiagens cotidianas da imprensa marrom! Precisamos sim de pessoas capazes de refletir e criticar o assunto com alguma consciência. Chega de desinformação!!!!!!!!! A mídia que cuide disto.

Vem aí a WEB 3.0

Publicado no portal G1, 08/01/2008. Por Fernando Passini. Íntegra em link aberto, clique aqui.


O começo da web 3.0

No início, a web era marcada por sites estáticos, sem interação com os usuários. A primeira grande mudança na forma em que usamos a internet veio com a larga aplicação de sites de comércio eletrônico. Assim, a rede passou a nos oferecer produtos e serviços. Depois veio a fase dos sites de relacionamento e compartilhamento de conteúdos (web 2.0).

Esse cenário nos colocou em uma situação muito complicada: Como organizar a imensa vastidão de conteúdo que se tornou a internet, de forma simples, eficiente e focada em nossas necessidades?

A resposta para esta questão é a “web semântica” - ou, se preferir, a web 3.0.

A principal aplicação da web semântica se refere à capacidade de os sistemas computacionais interpretarem o conteúdo disponível nos sites da internet e conseguir entender de forma diferenciada uma página em que a palavra bala é um doce ou é um projétil de armas. Ou seja, o conteúdo é interpretado de acordo com seu contexto. A forma com o que os sistemas irão executar esse rastreamento e interpretação será com base em mudanças na forma com que as páginas são construídas.

Parece um conceito simples, não? Mas não é tão simples assim. A forma com que essa evolução será conduzida ainda não é totalmente clara, mas é espetacular imaginar esse novo horizonte em nosso dia-a-dia.

Mais que um simples entendimento de palavras soltas – como o exemplo da bala – a web semântica poderá (e deverá) levar em conta cada usuário de forma individual, traçando perfis e procurando entregar ao usuário exatamente aquilo que ele quer, com base no que os sistemas de informação conhecem de seu comportamento.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Assim falou Pedro Dória

Paquistão após o assassinato de Benazir Bhutto


É sempre chocante assistir à decomposição de um país. Mas, após o assassinato de Benazir Bhutto, é o que está acontecendo com o Paquistão. O momento é tenso. Uma revolta popular pode estourar. Agora, que faria sentido declarar Estado de Emergência e impor a Lei Marcial, o presidente Pervez Musharraf está desautorizado. Afinal, há coisa de dois meses, aplicou um golpe contra a Suprema Corte utilizando-se justamente desta tática.

Será que ousaria um novo Estado de Emergência? Será que sobreviveria a tal decreto? Será que o Exército se manterá fiel a ele? Será que o Serviço de Inteligência, tão ligado ao norte islâmico, ainda o respeita minimamente?

O que acontecerá não é possível prever. Eleições estão marcadas para 8 de janeiro, Bhutto era favorita. O partido mais votado do parlamento eleito fará o primeiro ministro. Num país estável, o assassinato de um dos principais candidatos a essa altura seria justificativa para suspender o pleito e realizá-lo adiante, quando o partido vitimado tivesse chances de apresentar novo candidato. Mas, se já foi um dia, o Paquistão deixou de ser um país normal, quanto mais estável. O ideal seria que eleições ocorressem. É preciso manter a mínima aparência de democracia sob o risco de que ela desapareça de vez.

Os partidários de Bhutto, ontem, acusavam Musharraf do assassinato. Mas será?

Em campanha, a ex-primeira-ministra mostrava-se particularmente agressiva contra o Talibã, o radicalismo islâmico e sua cria, a al-Qaeda, alojados ao norte. Benazir Bhutto contava com a simpatia dos EUA por conta. Não há dúvidas de que, como premiê, Bhutto forçaria o presidente Musharraf a ampliar sua ofensiva. A conversa da experiente política com o presidente afegão Hamid Karzai, o outro chefe de Estado preocupado com esta briga, faz poucos dias, é indício de qual sua prioridade no governo.

Após seu assassinato, o presidente, que acaba de abandonar a farda de general, não tem como garantir sequer sua sobrevivência política. Se o conflito entre ambos era aberto, ausência de Bhutto piora a situação. Se a lógica ainda prevalecer no país em frangalhos, parece evidente que os maiores interessados em sua morte são justamente o Talibã e a al-Qaeda.

Isto, é claro, se a lógica valer de algo.

A al-Qaeda às vezes assume seus atentados. Outras vezes, não. No Onze de Setembro, ficou em silêncio por mais de mês enquanto a comunidade internacional cobrava provas de seu envolvimento antes de autorizar um ataque dos EUA ao Afeganistão. Neste caso, a falta de autoria clara favorece o caos. O caos interessa à turma de bin-Laden.

Com Bhutto de fora, os olhos voltam-se para outro ex-premiê, também candidato, Nawaz Sharif. Mal se passara uma hora da morte de Bhutto quando ele entrou no Hospital Geral de Rawalpindi para as condolências. Dada a confusão que imperava, foi um feito. É arte política, sujeito hábil. Embora os dois ensaiassem uma aliança, Sharif não poderia ser mais diferente de Bhutto. Se ela era pró-EUA, ele não esconde seus laços com a Arábia Saudita. E se acaso sauditas e norte-americanos são oficialmente aliados, na realidade da política local a ação é diferente.

A al-Qaeda é um grupo saudita. A Arábia Saudita era um dos três países do mundo que reconheciam, no Afeganistão, o governo Talibã. A vertente de islamismo radical que impera no norte do Paquistão é profundamente semelhante à que a Arábia Saudita espalha pelo mundo. Sharif não é fundamentalista. Mas a geopolítica que o sustenta e financia é tão atada aos sauditas que um gabinete liderado por ele é marcado por uma interrogação. O que vai imperar? A Arábia Saudita interessada em regimes islâmicos como os defendidos pelos radicais? Ou a Arábia Saudita interessada em combater o terrorismo? No Paquistão, as duas opções são incompatíveis.

Enterros no Paquistão acontecem rápido. Provavelmente hoje, talvez amanhã. Se demorar mais, escaparam à tradição – coisa sempre perigosa – para evitar as multidões. A multidão é incontrolável. Se o país rachar. Se houver um golpe de Estado. Se radicais islâmicos conseguirem um atalho para o poder. O mundo respira fundo.

O Paquistão é uma potência nuclear.

Publicado no Blog do Pedro Doria, 28/12/2007, 0h01

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

O Papai Noel que não contaram pra nós

Agora estou contando!
Abaixo, republico um excelente artigo de Pedro Dória, originalmente publicado no dia 25/12/2004, no já extinto mas nunca esquecido No mínimo.

A verdadeira história de Papai Noel

Pedro Dória - Weblog
24/12/2007


Papai Noel com bochechas rosadas e sorriso bonachão nasceu num poema anônimo, publicado no New York Sentinel, jornal que não existe mais, no 23 de dezembro em 1823. Chamava-se São Nicolau, ainda, era um elfo baixinho, carregava seu saco de presentes com o qual descia chaminés abaixo. Ali já estava a costura de um santo católico com mitos nórdicos. Tem três pais modernos: o poeta anônimo, um mordaz cartunista político analfabeto e um desenhista publicitário conhecido pelas moças seminuas pin-ups que traçava.

De origem mesmo, Papai Noel é personagem histórico, São Nicolau. Cinco santos católicos tem este nome, um deles papa. Do original, São Nicolau de Bari, pouco se conhece. Nasceu em Lícia, que hoje fica na Turquia, em finais do século 3. Órfão de pais ricos, peregrinou pela Palestina e Egito, abraçou o cristianismo. Era uma época tumultuada, finais do governo de Diocleciano, quando seguir Cristo já era atividade popular mas ainda coisa perseguida. Jovem ainda, Nicolau sacramentou-se padre e foi feito bispo de Mira, sua região natal.

Ficou preso e provavelmente foi torturado muitos anos até que ascendeu ao trono romano Constantino, em 306, que posteriormente cristianizou o império, em 312. Tempo de rancores – era preciso lidar com a turma que renegou Cristo para evitar a prisão; inventaram o sacramento da confissão por conta. Carecia também gerenciar o conflito entre o imperador e o papa Silvestre I, que disputavam o comando da Igreja. E, sobretudo, alguém precisava decidir o que afinal era Jesus Cristo.

Em 325 fez-se a primeira reunião de todos os bispos para afinar o discurso no Concílio de Nicéia. Nicolau era um dos defensores da tese da trindade – de que Cristo era Deus – e seu lado terminou por vencer o grupo que o via como um profeta, um homem entre homens. Os bispos decidiram também que evangelhos entravam na Bíblia e afastaram o cristianismo do judaísmo original, abolindo o sábado como dia de descanso e adotando o domingo, incluindo-se aí uma nova data para a Páscoa.

No entanto, ele é um santo embaraçoso para a Igreja contemporânea – na Enciclopédia Católica oficial, põe-se em dúvida até se participou ou não do concílio. Nem todos os bispos foram, só a maioria. Mas o bispado de Nicolau incluía a Anatólia, local do concílio – por que estaria ausente duma reunião em casa? Só que é embaraçoso: os milagres lhe atribuídos são um tanto incríveis e a Igreja implica com o encontro da religião com crendice popular. Uma vez, por exemplo, São Nicolau caminhou pelas águas do mar para salvar um pescador que ia afogando.

Chaminés e presentes

Seu feito mais lembrado é a história de um pai muito pobre que via suas três filhas chegando à idade de casar e não tinha dinheiro para o dote; sem marido, teriam de prostituir-se para viver. Nicolau, com sua roupa vermelha de bispo, rondou a casa à noite com três saquinhos de ouro; abriu a janela do quarto da primeira filha e depositou um; fez o mesmo no quarto da segunda e, como a terceira dormia na sala, jogou-o pela chaminé. O saquinho caiu dentro de uma meia que estava secando à lareira. Papai Noel, de barba branca, vestes rubras, com direito a meias e lareiras.

Apesar da ranzinzice católica, é um santo popularíssimo. Há mais igrejas erguidas em seu nome, na Europa, do que a cada um dos apóstolos individualmente. É o santo padroeiro da Grécia e da Rússia como o era de Nápoles, Sicília e Lorena em seus tempos de independência. Os restos mortais do santo foram transferidos para a Itália em 1087 e estão depositados numa igreja em Bari – daí São Nicolau de Bari. É padroeiro dos pescadores, dos banqueiros e dos penhores – o ícone das casas de penhora, três bolas, remetem às três bolsas de ouro.

É muito antiga a tradição de trocar presentes nesta época do ano. Na Europa latina, ficou por conta do 6 de janeiro, Dia de Reis. Mas na Europa do norte assumiu-se o 6 de dezembro, data da morte de São Nicolau. Foi Martinho Lutero, em sua luta contra os santos que instituiu o protestantismo, quem mudou isso. Em sua Alemanha natal, transferiu a data para o dia 25 e fez com que dissessem que era homenagem a Christkind, o menino Cristo. Na Inglaterra, assumiu no vácuo uma imagem pagã, um sujeito vestido com manto verde, coroa de ervas e barba castanha – Father Christmas, Pai Natal, que aparece como o Espírito do Natal Presente no Conto de Natal de Charles Dickens. Lutero fracassou na Holanda. O 6 de dezembro ainda é um dos parcos e mais importantes feriados nacionais.

Ainda hoje, com suas barbas brancas, o hábito vermelho e chapéu de bispo, atores vestidos de São Nicolau passeiam no início de dezembro por Berlim, Amsterdã, Copenhague e arredores.

De certa forma, Papai Noel é invenção holandesa: Sinter Klaas, São Nicolau em sua língua. Quando vieram assumir o controle de parte do nordeste brasileiro, em 1630, os homens de Maurício de Nassau trouxeram Sinter Klaas e mantiveram a tradição de que crianças deveriam ser presenteadas no dia de sua morte. Quando foram expulsos em 1654 e tomaram o rumo de Nova Amsterdã, na América do Norte, levaram seu dia sagrado – com o bispo generoso junto. E é aí que a fábula moderna começa a tomar sua forma pelas mãos de três homens.

Os dois primeiros pais de Noel

O poema foi publicado anônimo num jornal de Nova York em 1823. Chamava-se ‘Twas the night before Christmas – “Era a noite anterior ao Natal; em toda a casa nenhuma criatura movia, nem mesmo um camundongo. As meias, penduradas na chaminé com cuidado, indicavam a esperança da vinda de São Nicolau.” Durante muitos anos, foi atribuído ao teólogo Clement Moore mas, recentemente, decidiu-se que o autor é o poeta romântico Henry Livingstone, conhecido pelos versos ligeiros.

São doze estrofes, uma graça de poema para crianças, e muito do clima do Natal holywoodiano está ali. Descreve um pai de sono leve que, enquanto mulher e filhos dormem, percebe que algo aterrissou no telhado – então alguém desce pela chaminé, sai todo sujo de fuligem. “Seus olhos, como brilhavam! Suas rugas, quão felizes! Suas bochechas, como rosas, seu nariz como uma cereja e a barba branca como a neve … Ele era gordinho e bonachão, um elfo feliz.” O poema foi recebido com tal gosto nos EUA que não houve Natal em que não tenha sido republicado desde então.

Livingstone era de família holandesa chegada na região no tempo em que Nova York era Nova Amsterdã, menos de um século antes. São Nicolau persistia na tradição da comunidade holandesa, mas era só entre eles. A esta altura, Nova York já tinha a cara do caldeirão de culturas européias e negras que produziu a cidade mais cosmopolita do mundo. E, de alguma forma, São Nicolau tomou ali a forma de elfo.

Toda a Europa tem lendas de gente pequena que varia de todas as formas: leprechauns, duendes, elfos – gente boa ou má, mágica ou não. O elfo do poema é um tomte sueco, do tipo anão de jardim que inspirou Walt Disney em sua Branca de Neve, bonzinhos e corados. Não é coisa holandesa mas de alguma forma, na mistura novaiorquina, assim ficou no poema, quebrando a sisudez do bispo católico e estendendo o fascínio pelo santo.

Thomas Nast veio criança para os Estados Unidos. Seus pais, alemães pobres, não sabiam o que fazer com o filho incapaz de estudar – talvez fosse disléxico, pois inteligência jamais lhe faltou. Ficou anos na escola e jamais aprendeu a ler. Mas desenhava horrores. Quando a Guerra Civil norte-americana estourou, a imprensa local cresceu por conta da ansiedade de saber notícias dos filhos e maridos na luta ao sul. As cenas de batalha de Nast, encravadas em madeira para impressão nos jornais, fizeram com que sua carreira deslanchasse. Publicava, principalmente, na Harpar’s Weekly, que ainda circula hoje, mensal, com o nome Harpar’s Bazaar.

Seu primeiro Papai Noel saiu na edição do Natal de 1862. Tinha feito sua mulher ler e reler ‘Twas the night before Christmas para inspirá-lo. Outras imagens do santo já haviam aparecido aqui e ali, mas a habilidade de Nast lhe permitia captar o clima mágico do poema como nunca dantes. A lareira com as meias penduradas, o elfo bonachão, uma certa felicidade ingênua. Fumava cachimbo e não tinha mais chapéu de bispo, substituído por um gorro. (Qualquer semelhança com o saci, de pito e carapuça, não é mera coincidência – têm a mesma origem no imaginário.)

Nast também tomou certas liberdades. Fixou residência de Sinter Klaas, já americanizado para Santa Claus, no Pólo Norte – não seria de nenhum país. Providenciou-lhe também uma fábrica de brinquedos na qual outros elfos, como ele, trabalhavam. E, se São Nicolau sempre andara a pé pelas ruas ou a cavalo, Thomas Nast decidiu que renas voadoras puxando-lhe um trenó eram mais adequadas. Estas, ele deve ter pescado da lenda finlandesa do Pai Inverno, o velho que anda de casa em casa e, quando bem recebido, provê para que a temperatura seja amena à família. Por fim, Nast decidiu que nem toda criança seria presenteada. Só as boazinhas.

Thomas Nast era mordaz na caricatura dos candidatos à presidência que não apoiava – e elegeu todos com quem simpatizava. Foi num cartum seu que pela primeira vez apareceram o burro, representando o Partido Democrata e o elefante, dos Republicanos. Inventou também o circuito de palestras para clubes e associações que até hoje sustentam jornalistas conhecidos. Durante 24 anos, publicou 76 imagens de Natal. Ele, que jovem custou a dominar o inglês, morreu rico, embaixador dos EUA no Equador, em 1902.

O marketing de Natal

Os entalhes de Nast e o poema de Henry Livingstone criaram um dos primeiros fenômenos da propaganda. Na década de 1880, uma loja de Boston contratou um ator para vestir-se de Papai Noel – era um escocês que adorava crianças e atiçou filas dia após dia de pessoas que ouviam de sua presença e traziam seus filhos dos lugares os mais distantes, pegando trem, enfrentando horas de viagem. A notícia de que o truque funcionava atravessou o Atlântico e, na década seguinte, na Inglaterra, Pai Natal – de verde e moreno, igualmente bonachão – passou a bater ponto no comércio.

A Coca-cola adotou o Papai Noel em suas propagandas nos anos 20 do século passado – era só mais uma empresa atacando o filão conhecido e rentável. Mas custou a dar certo. A empresa, já grande e de escopo nacional, trabalhava com uma penca de agências publicitárias concentradas em Chicago. Em 1931, repassou sua propaganda de Natal para o estúdio de Haddon Sundblom, um dos mais talentosos ilustradores de sua geração, comparável a Norman Rockwell e Alberto Vargas.

Sundblom era um sujeito alto, 1,92m, dono duma voz grave do tipo que se impõe em quaisquer discussões. Pintava a óleo e acrílico, sua especialidade eram as nuances de luz num ambiente escuro. Baseava-se sempre em modelos vivos: sua mulher, seus filhos, vizinhos – quem fosse. Entre seus feitos, o sujeito no rótulo das aveias Quaker. E também, nos anos 40 e 50, pin-ups – a sensualidade, biquínis curtos para o tempo, moças curvilíneas. A impressão a cores na capa e contracapa de revistas como a Seleções de Reader’s Digest popularizava-se nesta época e os outdoors já seguiam espalhados pelo país.

Papai Noel era seu vizinho: Lou Prentice, um caixeiro viajante aposentado. Anos depois, as lendas fizeram parecer que Papai Noel adotara as cores da Coca-cola; paranóia, foi coincidência, vestiu-se sempre de vermelho. Mas o cinturão e as botas pretas foram obra de Haddon Sundblom. Como foi sua humanização definitiva – os elfos continuaram, mas apenas entre seus ajudantes. E o cachimbo, naquele Natal de 1931, foi substituído por uma garrafa pequena do refrigerante. As cores intensas, a luz aconchegante de lareira e, principalmente, o alcance da verba publicitária da Coca-cola que espalhou a imagem por todos os EUA, fizeram de seu Papai Noel o definitivo. É, até hoje, o “Papai Noel tradicional”. Só que havia carisma, ali – vários desenhistas a serviço da empresa haviam tentado sem sucesso.

Sundblom cuidou da propaganda natalina da Coca-cola até 1964, quando a verba migrou para a tevê. Após a morte de Prentice, Papai Noel passou a ser seu auto-retrato. Morreu em 1976 – não sem antes confessar à revista Rolling Stone que jamais conseguiu suportar o gosto do refrigerante.

A chegada ao Brasil

Influenciado pelas origens na Europa latina, a troca de presentes no Brasil colônia se dava no Dia de Reis, 6 de janeiro, como ainda acontece na Argentina. O comum era a oferta de comida, mas era a época que os escravos ganhavam novas mudas de roupa, também. O símbolo do Natal era o presépio, inventado provavelmente por São Francisco, quando criou a Missa do Galo.

Segundo Luís da Câmara Cascudo, principal folclorista brasileiro e contemporâneo de Sundblom, Papai Noel chegou ao Brasil na década de 1920, importado junto com o cinema e o rádio. Mas bem no início ainda era São Nicolau, com chapéu de bispo e hábito. No pós-guerra, com a popularização dos importados norte-americanos – plásticos, a edição brasileira das Seleções e Coca-cola, chegou o Papai Noel definitivo.

Mas não só no Brasil: também na Inglaterra, na França, na Espanha, Portugal, Itália e boa parte da América Latina. Na Inglaterra, a imagem do velho simpático substituiu a do Father Christmas, mas o nome permaneceu. De lá, os franceses importaram o apelido para chamá-lo Père Nöel – Pai Natal, literalmente. Espanha e Portugal tomaram emprestado do vizinho e puseram pai no diminutivo: Papá Noel, Papai Noel. Por que não traduziram Nöel? Esta cabe ao Sérgio Rodrigues, vizinho cá de NoMínimo, responder.

De toda forma, não é correto dizer que Papai Noel é uma invenção da Coca-cola ou que seja folclore de todo artificial. São Nicolau é santo importante e querido dos portugueses, Sinter Klaas andou por Pernambuco e, em seus tempos de elfo, teve a mesma origem remota do Saci Pererê. É, no fim, produto da geléia geral de misturas que deu origem à cultura das Américas, um dos primeiros frutos da globalização em seu melhor sentido.

Fonte: Pedro Dória | Weblog

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Egosurfing

Eu vivo procurando saber o que encontro ao digitar meu nome no google. E não é de hoje... Se você ainda não tentou, talvez seja uma boa hora, só por curiosidade. Quem sabe você encontra algo interessante ou desconsertante sobre o seu nome. Talvez ache até um problema que pode ser solucionado com alguns cliques. Afinal, como dizia a minha avó, temos que prezar pelo nosso nome! Leia abaixo o artigo sobre a referida prática.

Buscas online pelo próprio nome estão cada vez mais comuns

(Magnet) Ter, 18 Dez - 08h52
Por Rodrigo Martin de Macedo

Uma nova pesquisa da Pew Internet and American Life Project revelou que 47% dos adultos americanos usuários de internet utilizaram mecanismos de busca para procurar pelo próprio nome.

Segundo o site TechCrunch, o número de internautas que buscou por informações a respeito de si próprios cresceu de 22%, em 2002, para 47%.

A pesquisa também revelou que 53% dos internautas admitiram ter procurado informações de conhecidos, como colegas de trabalhos, amigos, familiares e vizinhos, e 60% afirmou não ter qualquer preocupação a respeito de suas informações disponíveis online.

Em entrevista à AP, Mary Madden, pesquisadora sênior do Pew, explicou que estava surpresa que parte dos internautas nunca teve curiosidade de procurar uma única vez por seu nome online.

Alguns usuários afirmam procurar por seus nomes freqüentemente, enquanto três quartos dos entrevistados que confirmaram a "busca vaidosa" alegaram ter feito apenas uma ou duas vezes. Apenas 4% dos internautas disseram ter encontrado informações imprecisas ou vexatórias ao buscar pelo próprio nome.

O estudo também descobriu que enquanto a prática é mais freqüente entre usuários abaixo dos 50 anos, que precisam manter uma boa imagem profissional, os adolescentes são mais zelosos por sua privacidade, e por isto têm como hábito restringir o acesso aos seus perfis em redes sociais.

A pesquisa foi conduzida por telefone entre os dias 30 de novembro e 30 de dezembro de 2006 e tem uma margem de erro de mais ou menos 3 pontos percentuais.

O fenômeno da auto-busca online não é recente e já foi usualmente chamado de "egosurfing".
Fonte: Yahoo Notícias

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Blogs e Descartes

Mais um artigo interessante, dessa vez veio direto do Blog Efetividade.

O que todo blogueiro pode aprender com René Descartes

Deixar claro para o leitor o que esperar de cada texto é uma boa prática para evitar surpreendê-lo negativamente.

E, talvez como conseqüência da cultura norte-americana de recorrer ao judiciário logo no primeiro sinal de que algo deu errado e há esperança de colocar a culpa em outra pessoa, a prática de incluir “disclaimers” nos textos é cada vez mais comum. Disclaimers são aqueles trechos em que o autor ou a publicação limitam sua responsabilidade sobre as conseqüencias da leitura do texto. “Sua quilometragem pode variar”, “Não faça isso em casa”, “Não oferecemos qualquer garantia”, ou outras formas polidas de dizer que o leitor está por sua própria conta e risco, algo que deveria ser óbvio mas cada vez mais precisa ser tornado explícito.

Curiosamente, ganhei de presente há algumas semanas um pequeno exemplar do “Discurso do Método”, de René Descartes, e percebi que logo nas primeiras páginas ele inclui um pequeno trecho que serve como aviso do que o leitor deve esperar em termos de autoridade sobre o conteúdo, e também vale como um precursor dos atuais disclaimers.

Mais do que uma curiosidade histórica, o disclaimer de René Descartes expressa um ideal e um desejo que podem ser compartilhados pela maioria dos autores e blogueiros que eu conheço. Vou citar diretamente:

Assim, não é meu propósito ensinar aqui o método que cada indivíduo deveria seguir para bem conduzir a sua razão, mas apenas mostrar de que maneira procurei guiar a minha. Os que se propõem a oferecer preceitos devem julgar-se mais capazes dos que os recebem; e, se falham na mínima coisa, tornam-se por isso censuráveis. Mas, propondo-se este escrito a ser apenas uma história ou, se preferirdes, uma fábula, na qual, entre alguns exemplos que possam ser imitados, talvez se encontrem outros que será acertado não seguir, espero que seja ele útil a alguém, sem ser nocivo a ninguém, e que todos me serão gratos pela minha franqueza.”

Como “disclaimer”, não é dos mais elegantes. Mas como proposta de valor, coloca o autor em uma posição modesta, expondo a sua opinião sob um ponto de vista pessoal, na expectativa de que o leitor possa usar esta informação para tirar suas próprias conclusões.

Por todo lado encontramos autores que estão sempre dispostos a pregar, determinar, julgar e corrigir o comportamento alheio, sem estar dispostos a ser censurados da mesma forma. Não estou em condições de avaliar se Descartes praticava o que afirmou, mas seu posicionamento exposto no trecho acima é sem dúvida digno de análise.

Além disso, o desejo de que o texto seja “útil a alguém, sem ser nocivo a ninguém” poderia sem dúvida fazer parte da inspiração de um código de ética do escritor.


Fonte: Efetividade.net

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Eistein, o físico como astro

por Daniel Piza
09/12

Albert Einstein (1879-1955) não é o tipo de personagem sobre quem se pergunte “para que uma nova biografia?”. O pai da teoria da relatividade foi também uma figura pública célebre e controversa, além de ter se tornado a própria imagem do gênio. Logo, sua história nunca será suficientemente explicada e será sempre tema de biografias e estudos sem-fim. Além disso, a abertura no ano passado de cartas inéditas escritas por ele, que estavam no espólio de sua enteada, lançou alguns feixes de luz sobre seu comportamento.

Na biografia de Walter Isaacson, Einstein – Sua Vida, Seu Universo (Companhia das Letras, 675 págs., R$ 64), que acaba de chegar ao Brasil e já é best-seller em vários países, essas cartas servem para mostrar como ele foi ainda mais rebelde em relação às convenções – científicas, mas também sociais. Aparece, como nunca antes, arrogante, mulherengo e antinacionalista. Ao mesmo tempo, Isaacson dá grande atenção a seu desejo de um universo mais ordenado e previsível do que o sugerido pela mecânica quântica e associa esse desejo a um impulso religioso.

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É como se, para lidar com esse Einstein atrevido, que às vezes parece julgar moralmente (como quando o repreende por não ter paciência para “os problemas dos outros”), o autor precisasse dar ênfase ao contraponto. Biógrafo de Benjamin Franklin e Henry Kissinger, Isaacson – que concedeu entrevista ao Estado por e-mail – fez de Einstein um homem com vocação para astro, tentou ser muito didático com suas idéias e dedicou boa parte dos capítulos à sua vida nos EUA. Embora não mencione a visita do físico ao Brasil, o livro tem tudo para fazer muito sucesso também por aqui.

Em muitos sentidos, Einstein não era o gênio do estereótipo: não era criança prodígio, não era estudante fenomenal, não era um romântico “outsider”. A revolução estava dentro dele. Será por isso mesmo que continuamos a ler as biografias dele? Ou o sr. não escreveria seu livro se não fosse pelas novas cartas?

O gênio de Einstein vinha de sua imaginação e criatividade. Ele era capaz de pensar fora do esquadro e visualizar as coisas de modo diferente. Parte disso veio do fato de ter demorado a começar a falar: ele pensava em imagens mais do que em palavras. Isso também se deve ao fato de ser intelectualmente um rebelde: ele desafiava a autoridade e contestava o dogma dominante. E isso fica muito claro nessas novas cartas.

Sua biografia também soa nova ao descrever fatos em outra perspectiva. Por exemplo, o sr. diz que trabalhar com patentes num escritório da Suíça foi bom para ele, pois as questões da vida real o ajudaram a lidar com a teoria. O sr. não diria que a diferença foi que desde adolescente ele se concentrava em poucos e fundamentais problemas?

Desde quando era adolescente, ele tentava visualizar como seria viajar ao lado de um raio de luz. E se ele fosse pego numa onda de luz? Ela não pareceria estacionária a ele quando a olhasse? Mas as equações de Maxwell dizem que isso não é possível. A onda tem de viajar sempre à mesma velocidade. Ele meditou sobre isso durante anos. No escritório de patentes, ele observava um monte de aplicativos para equipamentos que poderiam ser usados para sincronizar relógios distantes. Isso o fez pensar sobre o significado da simultaneidade e se as pessoas em diferentes estados de movimento definiriam de modo diferente o que era simultâneo. Ele percebeu que elas definiriam, sim, e isso o ajudava a responder o dilema sobre a velocidade constante da onda de luz e seria um passo em direção à teoria especial da relatividade.

O sr. dá muita atenção às dúvidas dele sobre Deus, religião, unidade. Einstein escreveu que era um agnóstico, que a idéia de um legislador moral não era necessária (carta para M. Berkowitz, em 25/10/1950). Por que a discussão?

Einstein disse que era religioso, que acreditava que existe um espírito manifesto nas leis do universo, um espírito diante do qual ele se sentia humilde e admirado. Esse era seu sentido de fé. Não acreditava num Deus pessoal a quem pudesse rezar para que fizesse milagres por nós. Mas ele também dizia que odiava ser chamado de ateu. Sua visão era muito interessante, e é por isso que devoto um capítulo inteiro a seus escritos sobre Deus.

Sua busca de uma teoria unificada não era uma busca científica e filosófica, em vez da busca por uma nova religião? Suas teorias foram um grande baque para visões holísticas, não?

Sim, sua busca por uma teoria unificada foi motivada por seu realismo científico. Ele acreditava que havia leis que determinavam o que acontece no universo, e a incerteza e a probabilidade e o acaso no coração da mecânica quântica o deixavam desconfortável.

O sr. acha que o gênio de Einstein era o de combinar a razão e a imaginação em alto grau, onde as fronteiras entre arte, ciência e humanidades já não existem? Ele não era como Darwin, totalmente aberto a novas questões genéricas em vez de específicas?

Acho que o gênio dele vinha da capacidade de ver coisas – como a gravidade – de uma forma totalmente nova.

O sr. escreveu que “ele tinha pouca inclinação ou talento para dividir os problemas dos outros, e compensava concentrando-se no que era importante para ele”. Não seria o contrário? Ele tinha uma mente tão concentrada em problemas complexos que naturalmente tinha pouca paciência para os problemas do cotidiano. No Brasil, ficou bem aborrecido com os discursos e bajulações...

Sim, ele às vezes se referia a assuntos não-científicos como “meramente pessoais”. Ele dizia que escapava dessas distrações mergulhando na ciência.

Embora não fosse tão bom marido ou pai, ele não era um homem agressivo ou frio, era? Depois de ler seu livro, sentimos mais afeto por ele, não apenas pelo que ele fez.

Ele era um homem gentil, um grande humanista. Ele era, especialmente no começo da vida, frio com seus familiares. Mas depois se tornou mais e mais caloroso à medida que envelheceu, assim como uma alma caridosa com a humanidade em geral.

Muitas pessoas dizem que a teoria de Einstein significa “tudo é relativo”. Que livros além do seu o sr. recomendaria a elas que lessem? Bertrand Russell e Kip Thorne fizeram introduções; há as biografias de Abraham Pais e Albrecht Folsing. E o que sr. acha de livros que tentam interpretá-lo ficcionalmente, como o de Alan Lightman (Os Sonhos de Einstein)?

Há dúzias de livros maravilhosos sobre Einstein. Eu recomendaria o livro que ele mesmo co-escreveu com Leopold Infeld chamado A Evolução da Física. Recomendaria as maravilhosas biografias de Folsing e Pais. E também as análises científicas de Jeremy Bernstein (Albert Einstein and the Frontiers of Physics) e Peter Galison (Einstein’s Clocks, Poincaré’s Maps), assim como o livro delicioso de Lightman.

Desde a morte de Einstein, a física quântica foi se tornando mais e mais forte, embora ninguém ainda a tenha tornado compatível com a relatividade. Em face de novas evidências, Einstein não faria uma revisão de suas idéias?

Einstein, creio, admiraria a mecânica quântica por seu grande sucesso, mas se estivesse vivo suspeito que ainda estaria procurando por uma teoria do campo unificado que a reconciliasse com a relatividade.

Fonte: Daniel Piza


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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Cadê os campeões de votos do Congresso?

Credibilidade do Congresso
Achei muito interessante o artigo abaixo, publicado originalmente no site "Deu no Jornal". Confira:

Campeões de voto, mas apagados no Congresso

Helayne Boaventura
Correio Braziliense (DF) - 9/12/2007


O ex-governador paulista Paulo Maluf (PP-SP) foi o fenômeno da eleição parlamentar de 2006. Ele contou com o voto de mais de 730 mil pessoas para voltar à Câmara, depois de ter sido deputado nos anos 80. A votação de Maluf foi tão estrondosa que é como se toda a população de Natal tivesse votado nele. Além da cidade potiguar, outras 12 capitais têm população menor do que a votação de Maluf. Ao chegar ao Congresso, porém, o controverso parlamentar se misturou à multidão de 593 deputados e senadores e pouco se destacou no primeiro ano de mandato. Como ele, metade dos 25 deputados mais votados do país tiveram atuação discreta nos primeiros meses do mandato. A maioria nem passou perto de listas dos congressistas mais influentes elaboradas por institutos de análise política.

Técnicos da liderança do PSB na Câmara fizeram um cruzamento entre a lista dos campeões de voto em 2006 com as pesquisas Elite Parlamentar, da Arko Advice, e Os Cabeças do Congresso, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O resultado é que, dos 25 mais votados, 12 estão fora das listas que tentam apontar os congressistas mais atuantes e influentes.

Há razões particulares para a ausência dos deputados bons de urna na elite do Congresso. No caso de Maluf, seu enfraquecimento na estrutura de poder do PP o excluiu da indicação de cargos de prestígio na Câmara. Ele não é integrante da Mesa Diretora nem presidente de comissão importante. Ter força no partido é fundamental para chegar a estes postos. O parlamentar também não relatou projetos de visibilidade nem participou de debates de temas polêmicos. "Ele tem uma dificuldade adicional, que são os escândalos em que se envolveu. Os colegas não querem se vincular a quem tem problemas na Justiça", analisa o diretor de documentação do Diap, Antônio Queiroz.

No topo da lista dos mais votados também está o deputado Clodovil Hernandes. Ele enfrenta situação semelhante à de Maluf, mas por razões opostas. Clodovil é um neófito na política, foi eleito por um partido nanico e depois de chegar à Casa se destacou apenas pelas confusões que arranjou. "O Clodovil é uma pessoa polêmica, folclórica, veio de um partido pequeno. Não é um parlamentar que influencia, que os outros ouvem para tomar decisões", avalia o analista sênior da Arko Advice, Cristiano Noronha. Ambos sofrem do fenômeno que acometeu o ex-deputado Enéas, falecido em maio, que também foi exemplo de votação retumbante, mas que não se destacou no Congresso.

Ascensão

Há outros casos de parlamentares famosos na mídia e fortes nas urnas, mas que ainda não têm influência na política nacional. É o caso da deputada Manuela (PCdoB-RS). Aos 26 anos, ela chamou a atenção em Brasília pela juventude e beleza. Pisou na casa como a nova musa do Congresso, mas ainda não chegou ao topo da elite parlamentar. "Ela está no grupo em ascensão. Ela chegou com o estigma de mulher bonita, mas está construindo outra imagem. Pode ser que nas próximas listas, ela apareça", acredita Antônio Queiroz.

Na relação de ilustres anônimos no Parlamento ainda estão parlamentares que são destaques regionais, mas ainda não conseguiram espaço nacional, como Emanuel Fernandes (PSDB-SP), Fábio Souto (DEM-BA) e Rodrigo de Castro (PSDB-MG). A expressiva votação reflete a influência deles na base política ou de padrinhos ilustres: o deputado baiano é filho do ex-governador da Bahia Paulo Souto e Rodrigo de Castro, eleito mês passado secretário geral do PSDB, tem as bênçãos do governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Para Emanuel Fernandes, ex-secretário de Habitação da gestão de Geraldo Alckmin no governo de São Paulo, desconhecido dos analistas de Brasília, a discrição é estilo. "Eu gosto de fazer as coisas com calma, com prudência", justifica. "Meu mandato é uma corrida de longo prazo, não de 100 metros rasos."

Articulador silencioso

Estar distante dos holofotes não é obstáculo a ingressar na lista dos mais influentes. É o caso, por exemplo, do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Depois de renunciar ao mandato de senador, após uma briga feroz com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), ele se elegeu deputado e escolheu os bastidores como sua área de atuação. Raramente fala ao microfone e é comedido nas entrevistas. Mas é um dos nomes mais poderosos do PMDB.

"Jader é um parlamentar que não participa de grandes debates, mas é extremamente influente no partido. Fala-se que é um dos que mais possui cargos federais", explica Cristiano Noronha, analista sênior da Arko Advice. Noronha define com clareza o que faz um parlamentar entrar na elite do Congresso: "O fato de ser bem votado não garante presença na lista. O importante é a capacidade dele de interferir na decisão do Legislativo".

Os deputados Paulo Maluf e Manuela D"Ávila foram procurados pelo Correio, mas não retornaram as ligações. A assessoria de Clodovil Hernandes informou que ele está com problemas de saúde e não concederia entrevista. A Arko Advice e o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) entrevistaram parlamentares, jornalistas, analistas políticos para listar os mais influentes do Congresso.

Fonte: Deu no Jornal

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Não Veja!

Achei muito interessante a postagem que Pedro Dória trouxe há alguns dias (19/11) sobre a questão do jornalismo praticado pela revista Veja. Acredito que vale a pena ser lido e que também devemos refletir muito sobre o assunto.

O problema da Veja

Pedro Dória, 19/11/2007

A troca de mensagens pública entre o repórter Jon Lee Anderson e o editor de Internacional de Veja, Diogo Schelp é um bocado importante – e não pelo que ela diz a respeito de Schelp; pelo que diz sobre Veja.

A argumentação de Schelp em sua defesa é ruim. Fonte não deve qualquer sigilo a repórter – a nossa é uma profissão que deve operar às claras. O sistema de filtro de mensagens da Abril é de fato muito rigoroso e dá problema com mensagens perdidas a toda hora. Mas este é um problema que a Abril deve resolver com sua equipe técnica. Numa empresa jornalística, é um problema sério. Usar o anti-spam como desculpa para não ter contatado uma fonte é piada.

Por fim, ele reconheceu publicamente que Veja tem uma lista negra: quem cai lá não sai na revista. Não é o único órgão de comunicação grande que tem uma lista dessas, mas há um motivo pelo qual ninguém assume sua existência. É que não pode ter. Noticia-se, sempre, o que é notícia; e procura-se, sempre, quem melhor pode informar a respeito de um assunto. Quando uma publicação reconhece que tem uma lista negra, está dizendo que não tem pudores de usar sua influência para fazer com que alguém suma do mapa da relevância, independentemente de ser notícia ou não. (Não que, neste caso específico, Anderson vá sentir falta.)

Mas não era Schelp que deveria responder pela crítica e é injusto que a revista o tenha exposto desta forma. Nenhum jovem jornalista deveria ser obrigado a debater com um repórter de primeira linha do jornalismo mundial. É um debate perdido de início e, portanto, uma exposição cruel.

A reportagem sobre Che não saiu como saiu porque esta é a qualidade de trabalho que Schelp pode apresentar. Quem o conhece diz que é bom repórter, que jamais tem preguiça de apurar. A reportagem saiu assim porque assim é a linha editorial de Veja: a tese já está definida antes que qualquer repórter se lance à apuração. As fontes consultadas são aquelas que confirmarão a tese. Se alguém disser o contrário, que seja ignorado. Não é a curiosidade, a tentativa de compreender o mundo, que move a pauta de Veja. O que lhe move é a vontade de dizer o que seus leitores devem pensar.

O caso de Reinaldo Azevedo é diferente de Schelp. Este tem por função entrar mesmo nestas polêmicas e argumenta como lhe é típico: quando o debate é impossível de ser encarado, parte-se para lidar com os acessórios. Nos EUA, isto tem nome e há especialistas do ramo. São os spin doctors. Daí, que se debata a tradução, alguma questão ética imaginária, que se insinue que um repórter sênior da New Yorker, uma das revistas mais influentes do mundo, sentirá falta de ver seu nome em Veja.

Veja já foi a quarta revista mais vendida do mundo – hoje, deve estar entre a quinta e a sexta. Já foi uma revista indispensável. Veja foi uma revista que pautou a discussão no país. Há capas memoráveis – a do aborto, por exemplo, com incontáveis mulheres contando suas histórias pessoais; a entrevista de Pedro Collor que disparou o processo de um ano que culminaria com o impeachment de seu irmão.

Não foi sempre assim: o conceito de uma revista séria e rigorosa, com o noticiário semanal, era novo no Brasil de quando ela veio às bancas. Durante uma década, deu prejuízo. Quase quebrou a Abril, até então uma editora de pouca influência. Mas, aos poucos, Veja tornou-se indispensável. São muitos anos de trabalho para construir influência. Influência jornalística é ganha com trabalho sério, no dia-a-dia e chega apenas muito lentamente.

Jornal e revista também são produtos de hábito. Leitores cariocas por certo reconhecerão o exemplo do Jornal do Brasil. Foi um grande jornal, influente, importante. Começou seu lento processo de decadência há uns quinze anos. Mesmo quando já era evidente que o JB não era mais o mesmo, muitos leitores continuaram o comprando. Aí foram perdendo o hábito. A influência é perdida quando, dia após dia, semana após semana, o veículo vai provando que simplesmente não é mais o que foi.

Um veículo de comunicação constrói uma comunidade. É o comentar ‘você viu a Revista de Domingo ontem?’, ‘você viu aquela matéria no Fantástico?’ O veículo é relevante quando sugere o assunto, influi na conversa pública, dá a seu leitor ou espectador a percepção de que ele está informado, que tem assunto, que está capacitado a formar opinião, preparado para a conversa e o debate.

Influência, este espaço na formação do debate público, demora muito tempo para ser construída. Depois que foi, a influência pode ser mantida ou não. Não é de uma hora para a outra que a influência é perdida – mas, depois que foi, não há quem a reerga. É este o patrimônio que Veja tem e está, muito lentamente, dilapidando.

Aos poucos, muito aos poucos, começa-se a ouvir o seguinte comentário nas ruas: ‘você viu aquela matéria na Época?’ Não é questão de ser de esquerda ou ser de direita, este é um debate que interessa apenas a meia dúzia de leitores. A questão é aquela curiosidade inicial que leva o jornalista à rua. Ele não tem uma tese para comprovar, tem dúvidas. Está disposto a ser convencido, de apresentar tantos lados de uma história quantos possa haver.

Fonte: Pedro Dória | Weblog

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