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domingo, 17 de agosto de 2008

NORMOSE

(*) por Martha Medeiros



Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado ofundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: "ele disse que o ser humano está sofrendo deNORMOSE, a doença de ser normal". Todo mundo quer se encaixar numpadrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido.Quem não se "normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o queos outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes dopânico e outras manifestações de não enquadramento. A  pergunta a serfeita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores decomportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo quevocê seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrataque ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A NORMOSE não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos
quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de AUTO-ESTIMA basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras
"bovinamente", e sim aquelas que desenvolveram "personalidade própria" e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram
adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra,
simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a NORMOSE está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

(*) Martha Medeiros (05.08.07 - Jornal Zero Hora - P.Alegre - RS)

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