Pesquisar Search

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Cadê os campeões de votos do Congresso?

Credibilidade do Congresso
Achei muito interessante o artigo abaixo, publicado originalmente no site "Deu no Jornal". Confira:

Campeões de voto, mas apagados no Congresso

Helayne Boaventura
Correio Braziliense (DF) - 9/12/2007


O ex-governador paulista Paulo Maluf (PP-SP) foi o fenômeno da eleição parlamentar de 2006. Ele contou com o voto de mais de 730 mil pessoas para voltar à Câmara, depois de ter sido deputado nos anos 80. A votação de Maluf foi tão estrondosa que é como se toda a população de Natal tivesse votado nele. Além da cidade potiguar, outras 12 capitais têm população menor do que a votação de Maluf. Ao chegar ao Congresso, porém, o controverso parlamentar se misturou à multidão de 593 deputados e senadores e pouco se destacou no primeiro ano de mandato. Como ele, metade dos 25 deputados mais votados do país tiveram atuação discreta nos primeiros meses do mandato. A maioria nem passou perto de listas dos congressistas mais influentes elaboradas por institutos de análise política.

Técnicos da liderança do PSB na Câmara fizeram um cruzamento entre a lista dos campeões de voto em 2006 com as pesquisas Elite Parlamentar, da Arko Advice, e Os Cabeças do Congresso, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O resultado é que, dos 25 mais votados, 12 estão fora das listas que tentam apontar os congressistas mais atuantes e influentes.

Há razões particulares para a ausência dos deputados bons de urna na elite do Congresso. No caso de Maluf, seu enfraquecimento na estrutura de poder do PP o excluiu da indicação de cargos de prestígio na Câmara. Ele não é integrante da Mesa Diretora nem presidente de comissão importante. Ter força no partido é fundamental para chegar a estes postos. O parlamentar também não relatou projetos de visibilidade nem participou de debates de temas polêmicos. "Ele tem uma dificuldade adicional, que são os escândalos em que se envolveu. Os colegas não querem se vincular a quem tem problemas na Justiça", analisa o diretor de documentação do Diap, Antônio Queiroz.

No topo da lista dos mais votados também está o deputado Clodovil Hernandes. Ele enfrenta situação semelhante à de Maluf, mas por razões opostas. Clodovil é um neófito na política, foi eleito por um partido nanico e depois de chegar à Casa se destacou apenas pelas confusões que arranjou. "O Clodovil é uma pessoa polêmica, folclórica, veio de um partido pequeno. Não é um parlamentar que influencia, que os outros ouvem para tomar decisões", avalia o analista sênior da Arko Advice, Cristiano Noronha. Ambos sofrem do fenômeno que acometeu o ex-deputado Enéas, falecido em maio, que também foi exemplo de votação retumbante, mas que não se destacou no Congresso.

Ascensão

Há outros casos de parlamentares famosos na mídia e fortes nas urnas, mas que ainda não têm influência na política nacional. É o caso da deputada Manuela (PCdoB-RS). Aos 26 anos, ela chamou a atenção em Brasília pela juventude e beleza. Pisou na casa como a nova musa do Congresso, mas ainda não chegou ao topo da elite parlamentar. "Ela está no grupo em ascensão. Ela chegou com o estigma de mulher bonita, mas está construindo outra imagem. Pode ser que nas próximas listas, ela apareça", acredita Antônio Queiroz.

Na relação de ilustres anônimos no Parlamento ainda estão parlamentares que são destaques regionais, mas ainda não conseguiram espaço nacional, como Emanuel Fernandes (PSDB-SP), Fábio Souto (DEM-BA) e Rodrigo de Castro (PSDB-MG). A expressiva votação reflete a influência deles na base política ou de padrinhos ilustres: o deputado baiano é filho do ex-governador da Bahia Paulo Souto e Rodrigo de Castro, eleito mês passado secretário geral do PSDB, tem as bênçãos do governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Para Emanuel Fernandes, ex-secretário de Habitação da gestão de Geraldo Alckmin no governo de São Paulo, desconhecido dos analistas de Brasília, a discrição é estilo. "Eu gosto de fazer as coisas com calma, com prudência", justifica. "Meu mandato é uma corrida de longo prazo, não de 100 metros rasos."

Articulador silencioso

Estar distante dos holofotes não é obstáculo a ingressar na lista dos mais influentes. É o caso, por exemplo, do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Depois de renunciar ao mandato de senador, após uma briga feroz com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), ele se elegeu deputado e escolheu os bastidores como sua área de atuação. Raramente fala ao microfone e é comedido nas entrevistas. Mas é um dos nomes mais poderosos do PMDB.

"Jader é um parlamentar que não participa de grandes debates, mas é extremamente influente no partido. Fala-se que é um dos que mais possui cargos federais", explica Cristiano Noronha, analista sênior da Arko Advice. Noronha define com clareza o que faz um parlamentar entrar na elite do Congresso: "O fato de ser bem votado não garante presença na lista. O importante é a capacidade dele de interferir na decisão do Legislativo".

Os deputados Paulo Maluf e Manuela D"Ávila foram procurados pelo Correio, mas não retornaram as ligações. A assessoria de Clodovil Hernandes informou que ele está com problemas de saúde e não concederia entrevista. A Arko Advice e o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) entrevistaram parlamentares, jornalistas, analistas políticos para listar os mais influentes do Congresso.

Fonte: Deu no Jornal

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...